Embalagem para Transporte – De novo ?

Um dos artigos que mais tem sido lido e comentado – recebemos e-mails com consultas  há quase 2 anos sobre o assunto – é o Embalagem Para Transporte de Produtos, postado em Julho de 2007.

O assunto é extenso e, em tempos de vacas magras, após a gripe do frango e a humanidade preocupada com a gripe dos suinos – diga-se de passagem que as referências aos animais é uma injustiça mundial – os jacarés estão nadando de costas. É mesmo tempo para pensar em redução de perdas.

A maioria das consultas que nos chegam fazem referências a perdas do produto, consumidor insatisfeito, cliente – loja ou indústria – devolvendo produtos danificados e até cancelando contratos de fornecimento. Sempre nos pedem idéias de como os produtos, das mais diversas tecnologias, deverão ser embalados.

Alguns dos e-mails contém fotos dos desastres: caixas amassadas, produtos enferrujados, pilhas de caixas que caíram no armazém do cliente, produtos vazando, frascos quebrados ou eletrônicos que não funcionam. Enfim: a materialização dos prejuízos.

Causa-nos surpresa que, sempre que solicitamos os valores referentes à medição dos prejuízos, invariavelmente não obtemos qualquer resposta numérica. As respostas são uma variedade de interjeições e qualificativos: muito, bastante, um problemão!

A nossa primeira recomendação é que estes desastres sejam quantificados – frequência, valores, região, clientes, transportadores, quantidade embarcada e tipo de embarque (embalagem unitizada – pallet, big bag ou carga solta – caixas, tambores, sacos).

Uma tabela simples, uma espécie de quadro que pode ser preenchido por um auxiliar das áreas de recebimento de materiais, expedição, vendas ou finanças, que concentrará as informações sobre reclamações e devoluções, proporcionará uma boa medição do tamanho do problema. Não dá para fugir disto. É uma atividade permanente e que será fundamental para as decisões futuras.

Reforçamos esta idéia; não é perda de tempo nem de recurso humano. Não tomará tanto tempo assim do funcionário e nem perderemos as informações se todos na empresa souberem que tal assunto deve ser reportado para tal indivíduo. Comunicação interna, meu caro! Aquela sobre a qual já falamos por aquí. Use-a.

Claro que adoramos fazer projetos de embalagem. Afinal, vivemos disso – dar consultoria e desenvolver projetos. Mas, sem surpresa nenhuma para nós e, invariavelmente, muita por parte do cliente, nem sempre o problema está na embalagem. Essa análise faz parte da nossa consultoria e, algumas vezes, não temos que modificar nada na embalagem para transporte. Felizmente.

Veja algumas informações que obtivemos depois de implementados sistemas de concentração de informações sobre perdas supostamente por causa exclusiva da embalagem para transporte:

– as perdas se concentram em uma determinada região ou,

– só há perdas em um tipo de cliente, ou ainda,

– as embalagens do produto são muito pequenas ou muito grandes.

Com as informações devidamente quantificadas procedemos à análise mais apurada das ocorrências, começando pela mais grave em termos de imagem do fabricante e da marca e dos custos envolvidos para as menos importantes.

Algumas respostas que encontramos para perdas em uma determinada região:

– roubo sistêmico – o produto é cobiçado na região, embora, na sua origem, seja até considerado um produto comum. É como água no deserto. Portanto, não identifique o produto na embalagem para transporte. Já chegamos até a recomendar a impressão de uma marca fantasma nas embalagens. O cliente sabe o que a embalagem contém mas o restante da população não.

– cultura diversa – o produto não é comum na região. As pessoas que manuseiam a embalagem não têm o devido cuidado. Por vezes, neste caso, temos que recomendar uma embalagem mais adequada para suportar os esforços e proteger o produto. Lembre-se que você, dentro da sua indústria, tem o processo controlado. Fora do seu estabelecimento, não.

Para perdas em um só tipo de cliente:

– a área de recepção de produtos do cliente não é organizada – não só em pequenos estabelecimentos como em grandes redes de lojas é comum encontrarmos este defeito. Você terá que fazer um trabalho educativo junto ao cliente. Dependendo do porte da empresa, pode ser que você tenha que visitar todos os endereços e treinar o pessoal da recepção para manusear adequadamente a sua carga.

– os equipamentos para descarga não são adequados – pode ser que não haja empilhadeiras ou docas apropriadas para receber as suas embalagens, provocando queda e consequente dano no produto ou as suas embalagens caem ou entalam no equipamento usado para movimentação.

– tempo de espera longo – aplica-se para produtos que têm a qualidade modificada por ficarem expostos à temperatura ambiente. Aplica-se a produtos alimentícios: congelados e chocolates. Antes de qualquer modificação na embalagem será necessário convencer o cliente a dar prioridade ao recebimento dos seus produtos. Este problema não acontece somente nas pequenas empresas. Grandes redes de lojas, por adotarem ordem de chegada dos veículos para recepcionar as mercadorias, precisam ser alertadas sobre a fragilidade do seu produto. Faça uma recomendação periódica até o problema ser sanado.

– roubo no cliente – é uma situação delicada. O cliente não sabe das ocorrências e você terá que provar. Recomendamos que as embalagens tenham um sistema de fechamento que evidencie o roubo. Informe ao cliente sobre como é a embalagem para que êle possa rejeitar as violadas ainda na recepção dos produtos bem como acompanhar o estado das embalagens dentro do seu estabelecimento.

– área de descarga inadequada – sem proteção contra intempéries, piso molhado ou contaminado com produtos químicos. Antes de modificar a embalagem, adicionando custo, converse com o cliente, mostre as dificuldades, convença-o a receber os produtos em local adequado.

Quando as embalagens são muito pequenas ou, ao contrário, muito grandes, as perdas e danos costumam ser por:

– a maioria da carga que o cliente recebe é grande e os pequenos volumes contendo seu produto se perdem, caem, são esmagados por outro produto ou mesmo por empilhadeiras e outros equipamentos usados na movimentação. Recomendamos convencer o cliente a ter uma área destinada ao desembaraço destes volumes, que devem ser transferidos para lá imediatamente após a chegada ao endereço. Provavelmente seu cliente perde outros produtos pelo mesmo o motivo.

– o oposto: seu produto é despachado em grandes lotes ou a embalagem é grande. Para produtos de grandes dimensões, que podem ser fornecidos desmontados e facilmente montados no destino, deve-se dar preferência a embalar as partes separadamente. Note que mencionamos “facilmente montados”. Em geral esta solução requer alterações no produto, nem sempre desejáveis. No caso de embalagens para transporte contendo uma quantidade grande de produtos, fica a recomendação para um estudo de fracionamento, que pode resolver o problema.

Em ambas situações vale a recomendação de visitar a área de recepção do cliente. Pode ser que seja inadequada para o seu produto.

Portanto, antes de alterar qualquer embalagem para transporte ou, no caso de projeto novo, antes de complicar, procure conhecer a cadeia de distribuição e os principais clientes, pelo menos. Dá para antecipar boa parte dos problemas e sair com uma solução muito próxima da ótima sem grandes custos ou até mesmo sem qualquer alteração no custo.

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