DESPREPARO E INCAPACIDADE DO GOVERNO FEDERAL NA IMPLEMENTAÇÃO DE PROGRAMAS DE INVESTIMENTO

por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

(Artigo publicado no DCI, edição de 08/05/09)

INDECISÃO EM PROGRAMAS DE APORTES

É notório o despreparo do governo federal na gestão da política econômica, particularmente na implementação dos programas de investimentos, anunciados com muito alarde e de forma atabalhoada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer enfrentar os inúmeros desafios da crise econômica, como se o Palácio da Alvorada fosse um eterno palanque eleitoral, no qual promessas e frases de efeito são pronunciadas, sem que se garanta o seu real cumprimento.

Quando surge alguma dificuldade ou a imagem do governo é abalada, imediatamente são anunciados planos e ações, “nunca vistos na história deste País“ e tudo parece que está resolvido.

Só que se esquece, de tão ou mais importante que elaborar planos e fixar metas ambiciosas, é a sua plena execução.

Faltam na equipe de governo, gestores competentes para administrar os projetos de investimentos, indispensáveis para a atenuar os impactos da atual crise e retomar o desenvolvimento econômico e social.

Em nosso artigo, de fevereiro deste ano, enfatizamos a importância do PAC – Programa de Aceleramento do Crescimento, que ainda continua em passos de tartaruga e que se não mudasse de ritmo ficaria mais conhecido como “Programa para Adiar o Crescimento“.

Em recente balanço da CNI – Confederação Nacional da Indústria, constatou-se que o PAC, não conseguiu executar nem um terço dos investimentos previstos.

O governo Lula está se arriscando demasiadamente, ao atrelar sua candidata à presidência, nas próximas eleições de 2010, a atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, como gestora, ou “mãe“, do PAC.

Se o programa não obtiver o sucesso pretendido, o que é muito provável, como votar para o cargo mais importante da nação, numa executiva-candidata que não conseguiu administrá-lo, mesmo contando com todos os recursos financeiros disponíveis ? Seria um prato cheio para a campanha eleitoral das oposições, que chegariam ao ponto de alfinetá-la como “ a madrasta do PAC “.

A letargia governamental está desanimando e contaminando a iniciativa privada voltada para a infraestrutura.

Cansados de não vislumbrar uma participação efetiva do governo, castigados pelas restrições de crédito e ainda receosos com  os níveis da recuperação do comércio internacional, os empresários do setor estão desacelerando e postergando investimentos.

Se não bastasse o fracasso das PPPs – Parcerias Público-Privadas, que já podemos denominá-las de “Parcerias Pouco – Produtivas“, chegou o momento do desalento de nosso empresariado.

Estudo realizado pela Fundação Dom Cabral, demonstra que mais da metade das grandes empresas que adiaram seus investimentos, refere-se aos projetos de infraestrutura.

Já comentamos, em artigos anteriores, que o País tinha e ainda tem, uma oportunidade única para reverter os efeitos da crise e avançar, melhorando sua posição no mercado global.

Neste contexto, investimentos maciços na infraestrutura, além de fomentar a retomada do crescimento do mercado interno, viabilizariam a eliminação ou redução do nosso gargalo para expansão das exportações, com vantagens comparativas relevantes frente aos nossos principais concorrentes.

A maioria dos países desenvolvidos já tem sua infraestrutura consolidada e está mais direcionada para cobrir os gigantescos déficits do sistema financeiro, com uma recessão e desemprego jamais experimentados e, as nações em desenvolvimento não têm capacidade econômica necessária para elevados investimentos.

O Brasil tem uma situação privilegiada, contando com um sistema bancário estruturado, sem créditos podres significativos, tendo em vista seu rigor na concessão de empréstimos e aplicada a maior parte de seus recursos em títulos federais, com remuneração garantida e baixo risco.

Ainda possuímos um bom nível de reservas e relativa folga orçamentária, com a redução do déficit primário, que deveriam ser realocados em investimentos produtivos, não para cobrir despesas de custeio, que não param de crescer.

Enfim, temos que aproveitar para avançar e aumentarmos nossa participação no mercado mundial. As condições estão disponíveis, faltam vontade política e capacidade de gestão.

Se  continuarmos nesse marasmo, os gastos com infraestrutura e logística vão continuar elevados, mantendo o custo-Brasil em patamares inaceitáveis, não só prejudicando  nossas exportações, como encarecendo os nossos produtos no mercado interno.

As associações de classe vinculadas aos setores de infraestrutura, terminais portuários, armazenamento, transporte de cargas e logística, e outras envolvidas, têm de se mobilizar, em conjunto, pressionando o governo federal a rever sua estratégia de ação.

As entidades representativas da indústria e do comércio, também precisam participar, para que possam reduzir seus custos de produção e distribuição.

Outros projetos de grande alcance social, como o Minha Casa, Minha Vida, recentemente lançado, têm que ser imediatamente monitorados, com toda a sociedade organizada sendo engajada na sua fiscalização, para  a redução do enorme déficit habitacional.

Se o seu nível de execução demorar muito, como  os anteriores, o mandato do atual governo vai se encerrar, a meta da construção de um milhão de casas vai ficar bem longe de ser alcançada e, se não melhorarem antes as condições de saúde pública para a população de baixa renda, principal interessada no programa, não vai dar mais para esperar – e logo teremos de rebatizá-lo de “Meu Jazigo, Minha Morte“

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