O SUCATEAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

(Artigo publicado no DCI, edição de 15/09/09)

O Brasil precisa daquilo que os militares chamam de “poder de deterrência”, ou seja, de capacidade de dissuasão.

A precipitação do presidente Lula em anunciar que fecharia um acordo com o presidente da França, Nicolas Sarkozi, envolvendo a compra dos Rafales, caças franceses, sem consultar o Alto Comando da Aeronáutica, evidencia mais uma atitude política, da época das promessas de palanque eleitoral e ausência de coordenação entre sua equipe de governo. Aliás, o presidente Sarkozi, estava mesmo em um palanque, em Brasília, nas festividades do dia 7 de setembro, todo sorridente, achando que o negócio já estava fechado.

Especialistas no assunto ponderam que aquele tipo de aeronave não é o mais adequado para a renovação de nossa frota de caças, havendo modelos mais modernos e poderosos, como os americanos, suecos e russos.

Soa no mínimo estranho a recente declaração do comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, que, evitando discordar da impetuosidade presidencial, afirmou que a decisão final ainda não foi tomada e que procedeu apenas uma análise técnico-comercial entre os concorrentes e, que o governo tem uma estratégia que não é de seu conhecimento. Fica difícil aceitar que o principal responsável por aquele importante setor das nossas forças armadas desconheça a estratégia a ser adotada que deveria partir de seu próprio comando.

Não é possível admitir interferência política para agradar determinado país. Existem formas diferentes de se estabelecer acordos políticos com a França, como, por exemplo, nas áreas culturais, comerciais ou tecnológicas.

O Brasil é reconhecidamente uma nação de paz e exemplo de convivência racial, mas, para ser respeitada tem que ter poder de força, para que possa assegurar a sua soberania e que seja temida por futuros e eventuais inimigos. É que os militares definem como “poder de deterrência”, ou seja, capacidade de dissuasão.

Vejamos o exemplo de dois países que não participam de guerras, há séculos, como a Suécia e a “ sempre neutra” Suíça . Este último, desde a época do mito Guilherme Tell, não registra conflitos armados, mas possui excelentes armamentos, como os caças F-18 Super Hornet.

A Suécia, embora não se envolva em guerras desde os conflitos napoleônicos, fabrica a maioria dos seus armamentos, tanto potentes submarinos, quanto tanques e os caças Gripen, de última geração, que estão tentando vender ao Brasil.

Temos um vasto território, de dimensões continentais, uma das maiores costas marítimas, a maior floresta do planeta e imensas riquezas, como por exemplo, o Pré-Sal, que precisam ser protegidas contra ambições estrangeiras

Os vizinhos estão se armando e não dá para confiar nos “muy amigos” do presidente Lula, principalmente o ditador Hugo Chaves, que recentemente anunciou com toda pompa e soberba, a aquisição dos poderosos caças russos Sukhois – 35.

Enquanto isso, os últimos governos têm negligenciado a defesa nacional, sucateando nossas forças armadas e alocando minguados recursos orçamentários para as três Armas.

Na aeronáutica, não dispomos de aeronaves de combate modernas e de grande poder de fogo e algumas, denominadas de caças, só servem para o emprego anti-guerrilha ou para intercepção e abate de aviões de pequeno porte utilizados por  narcotraficantes . As relativamente mais potentes – F-5 e Mirage – já se encontram ultrapassadas.

No exército, os carros de combate estão desatualizados, e o Brasil, que chegou até fabricar o tanque Osório, um dos melhores armamentos de guerra do mundo, produzidos pela extinta Engesa, hoje importa blindados de segunda mão. Como defender nossas extensas fronteiras e impedir uma invasão de estrangeiros que poderiam se apropriar de nossas riquezas amazônicas?

E a nossa marinha, em petição de miséria, com mais da metade dos navios encostada nos estaleiros? E os submarinos? Os poucos que estão operando têm restrições operacionais. Como patrulhar um imenso oceano, com uma reduzida esquadra, como defender as recém descobertas do Pré-Sal ?

As verbas para manutenção dos equipamentos das três Armas são irrisórias e as remunerações dos militares constantemente achatadas, deixando insatisfação e certo desânimo entre as tropas e preocupação entre os especialistas em defesa e segurança nacional.

Há necessidade imperiosa de reverter este quadro, valorizando mais as forças armadas, verdadeiras guardiãs de nossa soberania e integridade territorial.

Até a ambição louvada do presidente Lula de que o Brasil deveria ocupar uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU exige que o país se converta numa potência militar, como seus atuais membros.

Os militares foram acusados, na época da ditadura, de se intrometer na política e da intenção de permanecer no poder e, apesar de demorar, reconheceram que não deve misturar defesa nacional com política. O mesmo preceito também deve ser acatado pelo atual governo.

Somos de opinião que o cargo de ministro da Defesa deva ser ocupado por um militar de competência comprovada e de sucesso na condução do Exército, Marinha ou Aeronáutica e que tenha uma visão estratégica e global das três armas. A opção civil não poderia ser descartada, mas só deveria ser utilizada se realmente o postulante ao cargo tivesse efetivamente um conhecimento técnico amplo e estratégico da defesa nacional, o que convenhamos, não é fácil de encontrar. O que não nos parece adequado é aceitar uma indicação meramente política, de ministros totalmente leigos no assunto, que mal sabem a diferença entre uma esquadra e uma ex-quadra.

Além da França e da Suécia, concorre para o fornecimento das aeronaves os EUA através da Boeing, com os caças F-18 Super Hornet. A Rússia que poderia ser constituir em mais uma alternativa, através dos aviões Sukhois, não está sendo cogitada.

Pressionados pela simpatia presidencial pela França, os suecos e os norte-americanos já se prontificaram a aceitar a transferência de tecnologia, igualando a vantagem inicialmente oferecida pelos franceses.

A  concorrência deve ficar acirrada e o Brasil poderá fazer um bom negócio. Assim, o presidente Lula deveria sair de cena e deixar que o Alto Comando da Aeronáutica decidir o que é mais apropriado.

Defesa nacional e política são como água e vinho, não devem ser misturados.

2 respostas para O SUCATEAMENTO DAS FORÇAS ARMADAS

  1. Dalton disse:

    Paulo.
    Lendo seu comentário do “sucateamento das forças armadas”,me lembrei que nesta semana houvi uma noticia alarmante, onde o exército não tem verba para a alimentação de sua tropa, sendo dada folga na sexta feira antes do almoço e retorno na segunda após o almoço fazendo com que seus homens se alimentem fora do quartel por sua conta.

  2. Sr Paulo .Tive a grata satisfação de ler sua matéria sobre o sucateamento de nossas glosiosas Forças Armadas. Já pelos anos de 2006 escrevi para um jornal de minha cidade – Juiz de Fora- sobre esse perigo que ainda estamos enfrentamos que é o reduzido orçamento qeu somente dá para manter as Forças) para equipar e manter as FFAA. A título de colaboração estou enviando meu site http://www.jlourenco.com onde enocontrará além dos temas de História, um sobre Área Militar e Literatura Militar onde tive a oportunidade de comentar sobre as precariedade de nossas Forças Armadas

    Parabenizo mais um vez pela sua feliz matéria, que apresenta com muita clareza o problema de desaparelhamento de nosso aparato de Defesa.

    Agradeço sua amável atenção

    João Lourenço da Silva Netto
    Advogado- Historiador e Escritor

    site: http://www.jlourenco.com
    e- mail: jlourenco@terra.com.br

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