PAC II – PLANO PARA ALAVANCAR CANDIDATURA

por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

(artigo publicado no DCI em fev/2010)

psxds@hotmail.com

O governo federal lança o PAC II, com objetivos eleitoreiros, visando turbinar a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousself.

Em vez de melhorar a gestão dos investimentos contemplados no PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, aumentando o nível de execução dos projetos, o governo federal anunciou, recentemente, o PAC II.

Aliás, o PAC I ainda não emplacou, pior, empacou e só agora desempacotou.

Se o PAC I, que em artigos anteriores, denominamos de Programa para Adiamento do Crescimento, vinha se arrastando e só nos últimos meses começou a engatar a primeira marcha, não parece lógico, divulgar um novo PAC, como se o primeiro estivesse totalmente concluído, ou em fase final de execução.

O argumento de que se trata de um PAC Social, com foco no saneamento e na habitação, não se sustenta, pois vários projetos direcionados para esses dois setores já faziam parte do PAC I e de programas específicos como Minha Casa, Minha Vida.

Trata-se na verdade, de uma jogada político-eleitoreira, objetivando sacudir a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousself, que vem patinando nas pesquisas de intenção de voto, para a próxima eleição presidencial.

Mas, o tiro pode sair pela culatra, pois se as obras não forem aceleradas, o conceito de gestora do PAC, pode mais atrapalhar do que ajudar o caminho de Dilma, para a presidência da República.

Dilma, que inicialmente foi elogiada pelo presidente Lula, como “mãe do PAC”, ficou logo conhecida como “madrasta do PAC”, pelo seu baixo nível de gerenciamento.

O cerne da questão é o problema de gestão. O PT – Partido dos Trabalhadores, exagerou no aparelhamento do Estado, não se satisfazendo somente com o preenchimento de cargos no primeiro escalão dos órgãos públicos federais, mas colocou seus companheiros em vários níveis hierárquicos, inclusive nas empresas controladas pela União.

Assim sendo, técnicos experientes que ocupavam cargos de chefia foram substituídos por burocratas partidários. Faltam profissionais competentes que entendam de setores estratégicos e prioritários e, gestores, fiscalizadores e tocadores de projetos e obras.  Um hospital, por exemplo, pode ser administrado por um profissional que não seja um médico, mas o seu corpo clínico tem que contar, necessariamente, com médicos experientes.

Não adianta só planejar ou anunciar programas e planos ambiciosos, se os projetos e obras não são implantados ou, executados fora dos prazos previstos.

Como justificar se a candidata responsável pelos PACs , não consegue administrar  com eficiência programas de investimentos que contam com recursos abundantes, poderá governar, eficazmente, uma nação.

A oposição parece ter descoberto esta brecha, para minar a candidatura da ministra, evitando bater de frente com a popularidade e o carisma de Lula e fugindo também da comparação entre governo atual e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Neste novo cenário, o governador de São Paulo, José Serra, deverá partir para o enfrentamento direto com a ministra da Casa Civil, alegando que tem mais experiência e sucesso como administrador.

Lula e o PT precisam considerar que a transferência de votos não é tão fácil assim, vide o exemplo da derrota do candidato do atual presidente do Chile, Michelle Bachelet, que possuía níveis de aceitação popular semelhantes aos de Lula.

Como estratégia, Lula quer que Dilma adote seu estilo de governar eternamente em cima de um palanque e que anuncie, constantemente, programas e promessas para se manter sempre em evidência, principalmente na fase da campanha eleitoral.

Mas, a aluna ainda tem muito a aprender com seu mestre, particularmente, nos itens simpatia, carisma e jogo de cintura e ela pode ser considerada uma novata em cima de um palanque.

Ainda era muito cedo, para o presidente Lula ter afirmado, após discurso da sua candidata, em um evento oficial realizado recentemente em São Paulo:

“A bichinha tá palanqueira”.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva é economista graduado pela Universidade de São Paulo (USP), consultor e assessor empresarial. Articulista do DCI, do Conselho Regional de Economia, de revistas técnicas, blogs e sites de economia e política.

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