COMÉRCIO EXTERIOR REQUER MONITORIAMENTO MAIS EFICAZ (“OS NÓS DO COMÉRCIO EXTERIOR”)

Por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

psxds@hotmail.com

(Artigo publicado no jornal Dci, edição de 05/03/10)

A inserção e manutenção de um país no mercado internacional requerem uma série de medidas de suas autoridades econômicas, que valorizem as potencialidades nacionais, maximizando as suas vantagens comparativas frente aos principais concorrentes externos.

Além de uma percepção crescente para as exportações, é necessário criar condições favoráveis e perenes para aumentar a competitividade tanto externa, quanto interna e ampliar os níveis dos investimentos produtivos e tecnológicos.

Quando se aborda a problemática do comércio externo, o foco maior é direcionado mais para as exportações. Com essa postura, acabam-se deixando em segundo plano os cuidados exigidos nas importações.

A concentração dos debates em relação ao comércio exterior fica mais restrita à política cambial e outras variáveis relevantes ficam deixadas de lado.

O atual ambiente externo, caracterizado pela retração dos principais mercados, agravada pela crise financeira internacional e persistência do ritmo lento da recuperação mundial merece uma análise mais cuidadosa.

Neste cenário, evidencia-se uma forte concorrência externa, principalmente dos países asiáticos, notadamente dos produtos chineses, que praticam preços baixos formados por custos artificiais e pela adoção de uma política cambial favorável.

O Brasil conseguiu minimizar os efeitos adversos da crise internacional através da expansão do mercado interno, além de não sofrer maiores impactos negativos no seu sistema financeiro, bem estruturado e alicerçado nas aplicações em títulos públicos e operações de baixo risco.

O crescimento da nossa economia e o incremento do consumo interno incentivado, em grande parte, pelo aumento de renda propiciado pelos programas sociais e da elevação do nível de emprego, contribuíram para despertar o interesse e a ambição dos nossos concorrentes externos.

Parece evidente que a super valorização do real tem facilitado o aumento das importações, mas o governo federal tem negligenciado os mecanismos predatórios utilizados por alguns concorrentes, em especial, os produtos chineses.

Alastra-se cada vez mais, a tendência praticada por parte de empresários nacionais que estão preferindo comprar produtos, equipamentos, peças, componentes e até matéria-prima do exterior em detrimento dos similares nacionais, face á enorme diferença de preço existente.

E mais, esses empresários estão deixando de produzir internamente e deslocando suas plantas industriais para países que oferecem mais condições para os negócios e custo de produção bem inferior.

Essa grave situação, se perdurar por mais algum tempo, pode sucatear e destruir nosso parque industrial, com graves conseqüências para toda a economia nacional.

Os processos de retaliação comercial e antidumping são lentos e o estabelecimento de sobretaxas depende de estudos mais aprofundados para identificar itens específicos de cada produto afetado por uma concorrência externa desleal, mas não podem ser descartados.

A situação está se deteriorando e já preocupa o MDIC – Ministério do Desenvolvimento Econômico e Comércio Exterior, que até identificou, recentemente, a prática de um esquema de triangulação por parte de produtores chineses, através do expediente de montagem de peças em outros países, como Taiwan, Malásia e Vietnã,, entre outros, para disfarçar a sua procedência e burlar as tarifas antidumping.

Por outro lado, conforme reportagem do jornal  O Estado de São Paulo, a atual defasagem cambial tem elevado muito o número de importadores, em relação ao crescimento dos exportadores.

Concordamos que a política de câmbio flutuante é a mais adequada, mas a estratégia para o comércio exterior não pode ser embasada, exclusivamente, na administração de taxas de câmbio. Outros fatores importantes devem ser considerados tais como, redução do custo Brasil, maiores investimentos em infraestrutura e logística, diminuição da carga tributária e dos encargos trabalhistas, decréscimo do custo financeiro (O Brasil infelizmente continua em primeiro lugar no ranking mundial de taxas de juros reais), maiores incentivos e menor desoneração para as exportações, atrativos para ampliação dos investimentos produtivos e tecnológicos, etc.

Assim sendo, o atual governo precisa estar atento e empreender uma política  econômica mais consistente e abrangente, analisando todos os aspectos envolvidos.

Em artigos anteriores, já afirmamos que os empresários brasileiros, que estão entre os mais competentes do mundo e são praticamente imbatíveis dentro de suas fábricas, começam a perder competitividade a partir da abertura dos seus portões.

A adequação cambial é importante, em um mercado cada vez mais competitivo, mas o essencial é ter as mesmas condições para competir com os nossos concorrentes estrangeiros, nos mercados externo e interno.

Todas as vantagens identificadas ou concedidas para as importações devem ser oferecidas em igualdade para os produtores brasileiros. Além disso, práticas de protecionismo que prejudiquem nossas exportações deve ser objeto de ações compensatórias imediatas e exercidas no respectivo mercado bi-lateral.

Cabe ao governo equalizar as regras do jogo e assistir a vitória que  certamente obterão os nossos empresários – vitória que poderá até ser por goleada.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva é economista graduado pela Universidade de São Paulo (USP). Assessor da Presidência da ABIFA, consultor e assessor empresarial. Articulista do jornal DCI, do Conselho Regional de Economia e de sites e blogs de economia e política.

www.paulosergioxavier.zip.net

psxds@hotmail.com

fone: (11) 9617-0411

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: