NECESSIDADE DE MUDANÇA NA CONDUÇÃO DA POLÍTICA MONETÁRIA PARA MANTER O CRESCIMENTO ECONÔMICO

(BC PRECISA REVER SUA ESTRATÉGIA PARA JUROS)

(Artigo publicado no DCI, edição de 31/03/10)

Por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

O Banco Central deve considerar com mais freqüência a opinião do empresariado produtivo nacional e utilizar outros instrumentos de política monetária para controlar a inflação.


Na última reunião do COPOM, realizada em 17/03/10, o Banco Central teve um repente de lucidez, contrariando a opinião do mercado financeiro e manteve a taxa SELIC em 8,75% ao ano.

Como num jogo de futebol, não importa quem marca o gol: o que vale é que o time vença. Se foi por motivos políticos, pela provável saída do presidente do BC, Henrique Meirelles, para se candidatar a um cargo político, não interessa. O resultado foi a vitória, ainda que por um tempo muito curto, da manutenção das condições favoráveis para sustentar o atual crescimento econômico e incentivar o empresariado produtivo para continuar a investir.

Segundo afirmação do presidente da FIESP, Paulo Skaf, feita logo após o anúncio do BC, a SELIC estável é condição básica para o crescimento e a geração de emprego e renda.

Mais do que manter a taxa básica de juros, as autoridades monetárias deveriam estudar a viabilidade de reduzi-la, gradualmente, adequando-a em função de uma análise mais criteriosa de nossa realidade econômica, já que o Brasil continua sendo o campeão mundial dos juros reais e a Rússia acaba de diminuir sua taxa nominal, pela 12ª vez, em um ano, de 8,5% para 8,25%.

Mas para abril, aguarda-se, com grandes possibilidades de ocorrência, o aumento da taxa de juros primários. Conforme avaliações dos membros do próprio COPOM “haverá necessidade de sua elevação, de forma a conter o descompasso entre o ritmo de expansão da demanda doméstica e a capacidade produtiva da economia”.

O Banco Central, que teoricamente têm todas as informações disponíveis sobre a economia brasileira e dita as premissas da política monetária, não considera os demais instrumentos econômicos, só se utiliza do perverso mecanismo do aumento dos juros para conter a inflação. Age, como se fosse um curandeiro, que só tem um remédio para cura de todos os males, desde uma dor de cabeça até caspa ou frieira.

O seu estetoscópio é a sua pesquisa Focus, onde são consultados apenas os economistas ou analistas de instituições financeiras. Sem desprezar a opinião desses competentes profissionais, sua visão fica, de certa forma, comprometida por se aterem mais sob o prisma das remunerações do mercado financeiro.

Por outro lado, para as instituições financeiras, notadamente os bancos privados, é vantagem que a taxa SELIC seja elevada, já que a maioria das suas aplicações de recursos continua sendo lastreada por títulos públicos. Deve-se enfatizar que a dívida pública interna tem crescido significativamente, nos últimos anos e mais de 70% de seu passivo é constituído de títulos corrigidos pela SELIC.

O Banco Central deveria também consultar outros setores, principalmente o segmento industrial. Como o próprio ministro do Planejamento, Guido Mantega, ouviu dos empresários da FIESP, a projeção do crescimento de 6% do PIB, para este ano, é perfeitamente compatível com a capacidade produtiva do setor industrial e que os investimentos na sua ampliação vem sendo efetuados, como demonstra o acréscimo da produção de bens de capital.

É necessário ponderar que ainda existem segmentos industriais operando abaixo da sua capacidade instalada e, outros, que retomaram, mais recentemente, seus investimentos de expansão programados antes da crise financeira internacional.

Não se deve, portanto, subestimar o produto potencial brasileiro (capacidade máxima do crescimento da economia possível sem gerar inflação), sem dimensioná-lo adequadamente.

Também, não deve extrapolar, para os próximos meses, as pressões sazonais da inflação ocorridas no primeiro bimestre, caracterizadas pelos aumentos dos preços dos alimentos, afetados por fatores climáticos adversos, por reajustes das tarifas dos transportes públicos, elevação do etanol e gastos com educação.

Condenamos essa forma de terrorismo utilizada pelo BC, para controlar a inflação. A ameaça constante de aumentar os juros é perniciosa para a economia, pois deixa os empresários indecisos para continuarem a investir.

O governo deveria fazer sua lição de casa, controlando melhor seus gastos de custeio e da máquina estatal, substituindo-os por investimentos em infraestrura e logística e reduzindo o custo- Brasil, a carga tributária e melhorar a gestão do PAC.

Em nossa opinião, o mais relevante é que o governo tem que acreditar mais nos empresários produtivos do que nos especuladores financeiros. Só deverá tomar medidas mais drásticas, se realmente a inflação começar a sair de controle.

Não se pode querer internar um paciente diretamente na UTI, se ele deu um simples espirro, após tomar um banho de chuva, no verão, sem proceder a outros exames necessários.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva, economista graduado pela Universidade São Paulo (USP). Assessor da Presidência da ABIFA. Consultor e assessor empresarial especializado na recuperação e expansão de empresas em dificuldades financeiras.

Articulista do jornal DCI, da revista da ABIFA, do Conselho Regional de Economia e de sites e blogs de economia e política.

http://www.paulosergioxavier.zip.net

psxds@hotmail.com

Fone: (11) 9617-0411

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