A nova parceria capital-trabalho

A união de empresários e sindicalistas é um fato auspicioso, mas ainda ronda o perigo do aumento das importações.

por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

(artigo publicado no DCI em 13/05/2010)

A nova parceria, unindo os interesses da produção e as do emprego, contabilizou a sua primeira vitória com a eliminação progressiva, por um período de seis meses, da isenção do incentivo da redução de 40% sobre o imposto de importação de autopeças.Líderes empresariais do porte dos presidentes Paulo Skaf, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Butori, do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Devanir Brichesi, da Associação Brasileira de Fundição (Abifa) e Luiz Aubert, da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entre outros, vêm se empenhando na luta pela ampliação do nível de competitividade da indústria nacional.

Eles também lutam na defesa da manutenção das mesmas condições oferecidas pelo governo aos importadores que concorrem no nosso mercado interno.

O engajamento dos sindicalistas das duas maiores centrais sindicais—Central Única dos Trabalhadores(CUT) e Central Sindical—,como objetivo primordial de manutenção e aumento dos empregos, tem sido fundamental nesse trabalho, com destaque para os sindicatos da região do ABC Paulista.

Vencido o primeiro round,com relação às autopeças, o próximo embate será a proibição da importação de máquinas, moldes e ferramentas usadas e conseguir melhores condições para o aumento da competitividade dos setores de fundição, ferramentaria e do restante da cadeia produtiva automobilística.

Além da reunião dos representantes das duas centrais sindicais com Miguel Jorge, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), na qual foi anuncia da a intenção de revogar o mencionado benefício de importação para autopeças, depois confirmada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, outro acontecimento relevante foi audiência com o ministro do Trabalho, Carlos Luppi, com a participação da Associação Brasileira de Fundição e do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André.

Esses fatos estabeleceram um novo marco na relação capital-trabalho no Brasil, e naquela audiência foram reforçadas as preocupações com o desemprego, com a redução da produção e também com a perda de competitividade das fundições, das ferramentarias e de outros elos da cadeia produtiva automotiva.

As assessorias e equipes técnicas da Associação Brasileira de Fundição e da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos estão se reunindo para equacionar os problemas comuns das fundições, máquinas, moldes e ferramentarias e para apresentar novas alternativas ao governo, com o apoio dos sindicalistas dos setores interessados.

As entidades de classe empresarial estão atacando em vários flancos, desde a participação na Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fórum institucional para formulação de propostas e pleitos, visando principalmente à melhoria da competitividade da indústria brasileira, até ações estratégicas e pontuais, em conjunto com os sindicalistas, para sensibilizar os vários ministérios envolvidos.

Parece que o governo acordou e está ficando mais sensível a essas reivindicações.

No entanto, a pressão dos que defendem a importação desenfreada de máquinas, peças e componentes vai continuar.

A indústria automotiva já começou a espernear e a ameaçar.

O recém-empossado presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Cledorvino Belini, declarou, logo depois do anúncio das medidas, que a redução do benefício para importação de autopeças poderá implicar, entre outras consequências, um aumento do número de veículos importados.

Seja como for, a união com empresários e sindicalistas é um fato novo e auspicioso, que deve ser comemorado, mas não se pode baixar a guarda, pois ainda ronda o perigo do aumento das importações.

Apesar de a economia brasileira, em termos gerais, vir mostrando sinais de recuperação e de expansão, ainda existem setores em que os níveis de utilização não atingem 60% ou 70% da capacidade instalada de produção.

Essa situação faz com que algumas empresas estejam com seus colaboradores em férias coletivas enquanto outras estão reduzindo postos de trabalho.

O governo federal tem a obrigação de ficar atento a essas realidades e precisa ter uma visão mais ampla do desempenho apresentado por vários setores da economia.

Existe, também, uma nova fonte de preocupação. A crise econômica da Grécia pode contaminar os demais mercados europeus e disseminar início de uma retração global.

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