Um guia para projeto e aprovação de embalagens

Por: Maria Aparecida Carvalho

 

As dúvidas surgem a cada instante:

– a embalagem protege o produto ?

– podemos reduzir o custo da embalagem ?

– podemos usar outro material ?

– podemos reduzir o tamanho da embalagem ? … A cada dia mais empresas adotam um Guia para Projetos de Embalagens (Guidelines) para desenvolvimento e aprovação de embalagens. Este guia orienta não apenas os próprios projetistas de embalagem como os  fornecedores de materiais, os projetistas dos produtos e o pessoal ou empresas encarregadas da distribuição. Os fornecedores terão oportunidade de atender às normas da empresa quanto ao acondicionamento e embalagem apropriados para entrega dos produtos, evitando devoluções e desgaste nos relacionamentos. Já os projetistas dos produtos terão uma informação segura de até que ponto seus produtos estarão protegidos e a que esforços deverão resistir, informações igualmente necessárias para quem se encarrega da distribuição.

Uma embalagem tem que proteger o produto durante a sua armazenagem e distribuição, proporcionando que aquêle (o produto) chegue ao ponto de uso com a mesma qualidade e as mesmas características com que foi projetado e produzido. Assim, não valem improvisações nem soluções de última hora que, invariavelmente resultarão em prejuízo a curto, médio e longo prazos.

Conhecer o ambiente de distribuição do produto é fundamental para estabelecer um guia para desenvolvimento e testes de uma embalagem. Esta é a parte ruim para quem não quer sair do conforto do escritório ou boa para quem quer trabalhar no mundo real e se envolver com os negócios da empresa.

O Guia deve determinar, no mínimo:

1) materiais adotados pela empresa para embalagens

Com o aprimoramento da legislação nacional e internacional sobre materiais ambientalmente aceitáveis, esforços e metas para redução do lixo sólido, uso de materiais mais facilmente recicláveis e coleta de embalagens de produtos pelos fabricantes, este tópico é imprescindível e deve ser mantido atualizado com revisões constantes.

2) tipos de embalagem aceitos ou preferidos

Para cada tipo de produto, massa, dimensões, preço e forma de distribuição deve ser dada uma orientação sobre os tipos de embalagem mais adequados. Ex.: frasco, embalagem contendo pallet, caixa de madeira ou saco de filme que possibilite fechamento pelo cliente.

3) testes de embalagem

Para cada tipo de embalagem combinado com o tipo de produto e a forma de distribuição devem ser recomendados quais os testes a que o produto embalado deve ser submetido e o nível requerido de cada teste (severidade). Tanto a escolha adequada dos testes como o nível de severidade escolhido, se adequados, contribuirão para minimizar os danos no produto durante a distribuição. Por outro lado, não dá para exagerar no nível de severidade ou na quantidade de tipos de testes exigidos pois ambos acarretarão um aumento de custo da embalagem e, possivelmente, dos custos para distribuição do produto.

Uma forma de determinar o grau de severidade a ser exigido em um teste é comparar os resultados obtidos durante o teste de uma nova embalagem com os danos encontrados em produtos similares em dimensões, massa, fragilidade e forma de distribuição.

Adicionalmente, deve ficar claro no Guia, para cada tipo de produto, a que esforços este deve resistir sem embalagem. Este tópico é necessário para produtos sólidos secos. Ex.: eletrônicos, móveis e máquinas. É uma orientação fundamental para os projetistas dos produtos visto que não se consegue corrigir defeitos de produtos com a embalagem ou, se conseguirmos, a embalagem ficará tão cara que inviabilizará sua comercialização. Em algumas organizações esta orientação está contida em um Guia para Projetos de Produtos, que é desenvolvido pelas Engenharias de Produto e Projetos com a cooperação do pessoal de L&D e Marketing. Como o mundo não é estático, estas informações devem ser permanentemente atualizadas. O mercado muda e os produtos também, seja na forma,  massa, dimensões e no grau de fragilidade. Um bom Guia para Projetos de Produtos possibilita minimizar os custos para distribuição, adequando as dimensões, massa, desenho e grau de fragilidade às melhores práticas, de acordo com os armazéns, mão-de-obra, equipamentos para movimentação, meios de transporte e veículos usados para a distribuição. Ex.: dimensões adequadas para navio, porão de avião, corredores e escadarias.

Como escrever um Guia para Projetos de Embalagens ?

Sempre que me fazem esta pergunta ela vem acompanhada de argumentos como: não temos tempo, não temos pessoal disponível, vai demorar muito e vai ficar muito caro. Nada disso é impedimento e só vai custar mesmo é suor e organização. As informações já estão à sua volta: basta observar as embalagens existentes e analisar os acertos e os defeitos. Para escrever, basta organizar estas informações com a cooperação das áreas envolvidas e afetadas diretamente pelo produto e pela embalagem: Engenharia de Produto, Engenharia de Embalagens, Marketing, Compras, Vendas, Produção, L&D e seus colaboradores externos, além dos fornecedores de materiais e da área responsável pelo controle ambiental. É com a contribuição de cada um que podemos escrever facilmente este guia. É também com esta contribuição que vamos minimizar os custos de produção e aumentar o lucro da empresa. Afinal, é para isto que trabalhamos lá.

Leia mais sobre o assunto em: Engenharia de Embalagens – Ed. Novatec.

Tenham todos um excelente Natal !

Ah, sim: até o saco do Papai Noel tem que ser testado adequadamente. O velhinho vai percorrer milhões de quilômetros carregando os presentes, que devem chegar sem danos ao destino.

Uma resposta para Um guia para projeto e aprovação de embalagens

  1. Débora disse:

    Nossa, me foi muito util. *.*

    parabéns, o blog é muito bom!!!😀

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