Mais um PAC para o Brasil

Por: Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva

(Artigo publicado no DCI em 13/01/2011)

Se continuar a usar a sigla, Brasil corre o risco de ficar conhecido como o país do “PAC Istão”.

A presidente Dilma Rousseff anunciou, recentemente, a criaçãode mais um PAC. Trata-se agora do PAC Miséria.

O governo do PT adora o termo, ou sigla, PAC: é PAC para lá, PAC para cá. É dose para “PAC derme”nenhum botar defeito.

Já tivemos o primeiro PAC – Programade Aceleração do Crescimento, que, por sua lentidão e atraso nos projetos e obras, denominamos, em artigos anteriores, de Programa de Adiamento do Crescimento.

Depois veio o PAC II, apresentado para turbinar a candidatura da atual presidente, mesmo sabendo que o PAC I não havia executado um terço do seu orçamento, mais por problemas de gestão e de projetos mal elaborados do que alegação das dificuldades nos processos de licenças ambientais e interferências da fiscalização do TCU.

Como o objetivo era eleitoreiro, rebatizamos este PAC de Programa para Alavancar Candidatura. Chegamos também,até a mudar o slogan proposto pelo ex-presidente Lula, de “mãe do PAC”, para “madrasta do PAC”. Depois de três anos, só agora, o PAC começa a mostrar resultados, com a elevação do nível de execução dos projetos, apesar de que em alguns setores, como o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, o andamento continua lento, não atingindo, até 2010, 22% do valor orçado.

Os PACs têm sido mais utilizados pelo governo como mensagens de propaganda e promessas para encobrir o baixo nível de investimento público na infraestrutura. A deficiência nesse setor contribui para a redução do nível de competitividade de empresários nacionais ao concorrerem tanto no mercado externo quanto no interno. Os aeroportos estão próximos do caos, as estradas federais e os portos não atendem às exigências mínimas de escoamento da produção e, se não houver mudanças de gestão, o sucesso da realização da Copa e das Olimpíadas estará comprometido.

A presidente Dilma, ocupando o Palácio do Planalto e de posse da “caneta de ouro das nomeações”, tem todas as condições para demonstrar que é de fato uma excelente gestora e agilizar a execução dos seus PACs. O problema é indicar pessoal técnico especializado nos diversos setores contemplados nos programas e enfrentar com determinação o assédio das nomeações políticas do PT e da base aliada, principalmente do PMDB.

Voltando ao termo PAC, temos uma pista para descobrir o mistério da insistência do ex-presidente Lula em não extraditar do Brasil o mafioso italiano Cesare Battisti, apesar da pressão da comunidade externa e a possibilidade de nosso País ser julgado na Corte de Haia por não respeitar o acordo existente com a Itália. Basta conhecer o nome do grupo terrorista em que Battisti atuava. Por coincidência, era PAC – Proletários Armados pelo Comunismo.

Só falta criar o PAC Segurança e nomear Battisti gestor ou assessor desse programa.

O PAC Miséria agirá, prioritariamente, em três áreas: ampliação dos serviços sociais, continuação da ampliação da rede de benefícios e inclusão produtiva. A intenção é louvável; esperamos que os resultados também o sejam. Mas, não dava para mudar a denominação para PAC AscensãoSocial ? A palavra “miséria” não atrai boas energias, segundo a neolinguística, valendo a pena citar o filósofo chinês Confúcio: “sem conhecer a força das palavras, é impossível conhecer as pessoas”.

De tanto ouvir e ler a palavra PAC, lembramo-nos de um nosso ex-professor universitário, que não conseguia falar dez frases seguidas sem utilizar o termo basicamente, chegando ao extremo de afirmar, em uma de suas aulas de História Econômica, que um ministro responsável pela economia de um reino da Antiguidade, não tendo sucesso na implementação de suas medidas para reverter o quadro de miséria, foi basicamente decapitado.

Ainda bem que os tempos mudaram…

Se continuarmos a usar a sigla PAC, corremos o risco de o Brasil ficar conhecido como o país do “PAC Istão”. Vamos torcer “PAC isso não aconteça jamais”.

E a base aliada do governo, no embate por aumentar a sua participação nos cargos principais do executivo federal, poderá ser chamada de PAC – Para Acomodar Conchavos.

Paulo Sérgio Xavier Dias da Silva é economista graduado pela Universidade de São Paulo (USP), consultor e assessor empresarial, articulista de economia e de política.

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