Eficiência da Embalagem

Muitos têm me perguntado sobre essa coisa (nova) de eficiência da embalagem. Afinal, de que se trata ? É importante ? Todas as empresas usuárias de embalagem devem se preocupar com isto ? É possível medir a eficiência de uma embalagem ?

Devo dizer que há anos, na verdade desde a década de 1980 que temos trabalhado neste assunto tanto nos nossos projetos como em encontros com colegas pelo mundo, de várias empresas, tanto usuárias de embalagem como fabricantes. É um assunto que passou a nos preocupar mesmo antes de se ter as primeiras manifestações na Europa, principalmente e antes de virar moda, como nos últimos anos.

Naquela época muitas empresas já colocavam restrições e objetivos para redução do uso de materiais de embalagem, eliminação de materiais ambientalmente incorretos e os seus correspondentes derivados como as reduções de dimensões para economia de frete (e combustível) e de riscos no manuseio e uso.

De lá para cá os cuidados só aumentaram, portanto, a moda de hoje já vem sendo estudada há décadas.

Para se medir a eficiência de uma embalagem podem-se tomar diversos parâmetros. Inúmeros mesmo. Os mais comuns são os que comparam a embalagem proposta com a da concorrência e os que a comparam com os objetivos a serem atingidos. Obviamente o mínimo desejável é que se atinja os valores estabelecidos em lei, tanto as do país de origem do produto quanto as do destino.

Os principais parâmetros que podem ser usados, além dos referidos na legislação e normas internas das empresas usuárias de embalagem são:

– volume

– massa

– presença de metais pesados

– destino pós-uso

– impacto ambiental

– custo

– reciclabilidade

Volume – dentre outras considerações vale a lei “quanto menor melhor” – dentro dos limites permitidos para identificação do conteúdo, manuseio, estocagem e embarque. Estamos às vésperas de termos que nos responsabilizar pelo retorno das embalagens, especialmente dos produtos grandes e secos como os eletrônicos. Retorno também será um custo adicional que teremos que prever desde já.

Massa – quanto mais leve melhor – considere a diferença de algumas gramas por embalagem ao longo de um ano. A diferença de custo no frete pode ser muito grande. A economia que pode ser obtida observando-se este parâmetro pode ser mais que suficiente para que se projete uma embalagem mais adequada, usando outros materiais e outro conceito. Por sí só, esta economia ao longo de um ano já paga um novo projeto, ferramentas e maquinário.

Presença de materiais pesados – o ideal é que não os tenha ou que sejam reduzidos a um mínimo. Cabe aquí considerar uma profunda investigação junto ao fabricante sobre os materiais que compõem o material da embalagem. Muitos já fornecem materiais certificados da não presença de metais pesados. Também é importante observar que muitos países não admitem determinados materiais.

Impacto ambiental – qual o impacto ambiental gerado pela produção dos materiais escolhidos para a embalagem e para a sua produção ? É importante analisar toda a cadeia de produção dos materiais, desde a sua extração, passando pelos processos de beneficiamento até a produção da embalagem. Este critério está diretamente associado à reciclabilidade e nos leva a preferir também o uso de materiais discretos, que não sejam combinados, para facilitar a reciclagem das matéris-primas.

Destino pós-uso – se a embalagem pode ter outra aplicação além da para a qual foi projetada pode ser um grande diferencial em relação a concorrência. Algumas empresas já usam este critério mas ainda falta muita criatividade para crescermos neste quesito.

Custo – deste parâmetro ninguém escapa. Mesmo uma embalagem de luxo deve ser avaliada. Sempre existem materiais e processos mais adequados para redução de custo. Luxo não é sinônimo de desperdício. Por outro lado, embalagens de produtos de uso constante, como alimentos e medicamentos, podem ser projetadas e fabricadas com materiais perfeitamente adequados e de custo e processo mais econômico. Uma comparação com a concorrência pode ser vital para economia. Perguntas como “por que a outra embalagem é mais barata ?” ou “porque é mais cara ?” podem nos dar pistas de quanto somos melhores ou qual a consideração deixamos de fazer no projeto.

Reciclabilidade – é um parâmetro imprescindível nos dias de hoje. Quais e como os materias de que são feitos os componentes das embalagens podem ser reciclados ? Instruções para o consumidor sobre como dispor da embalagem usada são essenciais. Muitas cidades já têm iniciativas para reciclagem de materiais de embalagem e uma orientação para o consumidor também será um diferencial para o produto contido. Valoriza a marca e o fabricante. Cabe ressaltar que a maioria dos materiais é reciclável entretanto, devido ao custo para a reciclagem, esta é inviável. O ideal é sempre preferir materiais que sejam de mais fácil reaproveitamento, envolvam menos operações e que já tenham processos para reciclagem definidos.

Adicionalmente, sempre é importante verificar as diretivas da European Union – 94/62/EC e suas atualizações. Em geral as diretivas da EU são mais avançadas e já nos dão uma medida do futuro próximo.

Por fim, demonstrar para o consumidor os cuidados que a empresa tem com o projeto das embalagens dos seus produtos. É interessante como este ponto, tão importante, tem sido negligenciado pelas empresas usuárias de embalagem. Ao longo dos últimos 30 anos, nos inúmeros projetos que fizemos para diversas empresas, tivemos este item quase sempre esquecido por parte daquelas, embora tivéssemos discutido e ressaltado a importância da escolha dos materiais e dos detalhes construtivos. Estes critérios quando levados ao conhecimento do consumidor de uma forma adequada, são valorizados. Nas nossas constantes entrevistas com consumidores de todos os tipos de produtos temos anotado críticas muito interessantes e profundas sobre produtos e embalagens. O consumidor é o nosso crítico maior. Não podemos nos esquecer disto.

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